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domingo, 9 de outubro de 2011

26 ...

(Ou "What matters most is how well you walk through the fire".)


Imunidade de 01. Paladar de 13. Tamanho de 15. Cara de 18. Cinismo de 30. Fígado de 35.
Manias e reclamações de tiazona. Sarcasmo de quem vai pro inferno. TPM de quem já tá lá.
Choro tal criança de 05. Saudade qual senhorzinho de 80.

Fobia social e ansiedade que talvez precisassem de remédio. Teimosia e ceticismo que rejeitam a teoria do remédio.

Vícios novos de 02 em 02 anos. Paixões de foder com a vida de 05 em 05. Planos de viagens megalomaníacas anualmente.

Angustiazinha e questionamentos quase sempre. Felicidade vezenquando.

A melhor parte é ir virando Pretorian fighter.
:Enterrando idealizações. Entendendo que vai ser turbulento, que vai ser caótico, que vai ser vezenquando. E hey, é okay que seja assim.



(CB, Bone Palace Ballet: New Poems)

sábado, 1 de outubro de 2011

You are all diseased ...


(Vídeo de linchamento e incineração públicos, fácil de assistir não.)

Soco no estômago, né. Chegou pra mim por um dos tumblrs.
Eu não sei se ele era gay, assassino, ladrão, estuprador, “rebelde”, you-name-it. Mas sei que há milhares de vídeos desse tipo pela internet. Nos tais sites auto-intitulados macabros-mórbidos. Registros feitos em diferentes lugares. América, África, Europa, you-name-it-again.

Vezenquando alguma das barbáries acaba ganhando notoriedade. E chove indignação e comentários que vão de que-horror-como-um-ser-humano-pode-fazer-isso a ainda-bem-que-onde-moro-não-é-essa-selvageria-de-sociedade.
Aí pra mim é que acaba com tudo. Esse negócio de rotular e jogar pra longe. “Atitude de selvagens-primitivos que ainda vivem em aldeias”. “Muito distante de mim e da minha realidade de país civilizado”. Alguns até arriscam comentários sobre como os linchadores cruéis mereciam violência análoga, “pra sentir na própria pele”. Ou idéias de neo-neocolonização com doutrinação de leis e valores, “pra pacificar e garantir direitos humanos”. Ironia define.

A gente – espécie humana – faz isso com freqüência com o que não consegue digerir muito bem. Rotulamos como algo pontual, distante, passado; escolhemos um punhado de “culpados” pra demonizar, e fim. Passamos a contar a história como acontecimento de recorte muito específico que ocorreu perante circunstâncias muito singulares; que não ocorreria conosco- pessoas normais e de bem - ou pelos menos, não ocorreria novamente.

Holocausto é um belo exemplo. Maldito Hitler demoníaco, que aliado a algumas dezenas de doentes comandou (sozinhos?!) dos maiores massacres da história da humanidade com requintes de crueldade. “Que absurdo, me dá nojo, como alemães concordaram com isso, Tarantino lavou minha alma queimando os filhos-da-puta no teatro”.

Então que entra o porquê d’eu achar o filme “A onda” genial. Ele tenta desenhar o que a gente joga pra debaixo do tapete. Que “boas-intenções”, ideais, e valores podem causar cegueira-intolerância-crueldade. Que a gente é mais primitivo do que gosta de acreditar, só precisa do gatilho pra selvageria.

Você aí civilizado, do alto da sua integridade e solidariedade humanas, que aponta o dedo pra toda essa violência extrema, defensor dos valores de família e tradição, se acha muito diferente dos caras do vídeo?
Lógico que linchamento-incineração-decapitação-estupro é dos extremos escancarado pra revirar entranhas. Mas eu, particulamente, não nos acho tão diferentes dos caras do vídeo no quesito intolerância.
 
A gente espanca gay na Paulista, acha que estuprador tem que virar "mulherzinha"(!!) na cadeia, considera okay polícia entrar na universidade e bater em aluninho-maconheiro-vagabundo-que-faz-greve, faz campanha política tipo a de 1989 (2010 teve quê de terrorismo ideológico também), demoniza comunistas-comedores-de-criancinhas até hoje.
A gente sai na porrada porque fulano torce p’rum time de futebol diferente do nosso, faz festa porque mataram o Bin Laden, vai pra porta do fórum soltar fogos e atirar objetos no pai que atirou a filha pela janela, transforma Capitão Nascimento em herói nacional.
Guardadas devidas proporções, a gente lincha moralmente a menina que curte dar uma temperada na genitália, a gente impede que pessoas se casem ou se submetam a um tipo de procedimento médico porque elas acreditam em valores diferentes dos nossos. A gente não só quer impedir e proibir, como acha por bem criminalizar esse valor diferente.

Não é tão longe, percebe?! Na verdade, pra chegar no incineramento público e no Holocausto é só um passo e uma conjuntura político-social que de tempos em tempos surge. A idéia, a cegueira, a intolerância, a selvageria já existe(m).

Acho importante pensar nisso toda vez que o novo vídeo cruel do momento aparecer nos seus feeds. Acho importante você continuar se indignando e se aterrorizando com as cenas. Acho importante você achar que quer ser diferente das pessoas do vídeo. Então trabalhe pra que seja, em todas as instâncias. Sem jogar o seu pra debaixo do tapete, sem hipocrisia.

domingo, 18 de setembro de 2011

Doctor who?!



Ano passado, dei uma surtada e deletei. Orkut-Twitter-Facebook. Meses difíceis. Não entenda errado, adoro o caos. Chaos is my favorite person, but every once in a while it can be a real cunt. Daí canso demais da babaquice alheia, preciso hibernar e lamber feridas por um tempo.

O que significa que desde que me tornei adultinha profissionalmente, as pessoas nunca puderam me adicionar ou fuçar likes-fotos-arrobas. Tudo o que sempre souberam era o que transparecia no ambiente de trabalho. E bem, já bastam a cara e o tamanho de pirralha; é preciso fingir um mínimo de sobriedade no restante. My poker face.

Até que um fatídico dia me encontraram pelos bares da vida. Mesa com álcool-colesterol-cinzeiro-um-guri. Virou assunto pelas próximas semanas. Papa-papa-razzi.

A gente acaba mesmo ficando condicionado a enxergar tudo como negócio, como mercadoria. De modo que pra trabalhar com saúde, eu-garota-propaganda tenho que vender a idéia sendo impecavelmente saudável. Mas ser impecavelmente saudável e viver 129 anos é sinônimo de bem-estar, de felicidade?!

Escolhi atuar na área porque acredito que saúde, junto com educação, são os pilares fundamentais pro bem-estar e pro desenvolvimento pleno de qualquer indivíduo. No sentido de propagar conhecimento, qualidade de vida, e oportunidades. Mas sempre respeitando o tal princípio da autonomia.
Quem sou eu pra te dizer como tu deve viver tua própria vida? Pra te dizer o que é quality-time e bem-estar? Pra te dizer como deve lidar com teus demônios e teus problemas?

Tenho certa dificuldade com doutrinas-imposições-verdades-absolutas. Vou sim te esclarecer riscos a curto e longo prazo de certos hábitos toda bendita consulta. Vou sim te repetir opções de tratamento e benefícios com a mudança toda bendita consulta. Sou bastante direta se tua escolha de estilo de vida é causa dos sintomas que tu estás trazendo pro atendimento. Mas nunca vou te dar sermãozinho ou tentar te doutrinar sobre certo-errado, bem ou mal.

Escolhas, babe. Cada um faz as suas e lida com as consequências. Podendo sempre mudar de opinião a qualquer momento.
E é aí que me vejo fazendo parte: propagando conhecimento pra que você faça suas escolhas consciente, esclarecido; tentando remediar as merdas que possam surgir por consequência-tragédia-acaso; proporcionando qualidade de vida.
Sempre numa relação horizontal, de corresponsabilidade, onde ambos fazem concessões até chegarmos num acordo entre a rotina que você quer levar e a que vai lhe manter vivo pra você continuar tomando suas decisões, encarando seus demônios como bem entender, e procurando o que faz sentido e lhe dá prazer nesse caos de existência.

É assim que sei, assim que consigo trabalhar.
Será que o mundo só está procurando(precisando?) (d)aqueles médicos-padre, que ficam julgando, dando ordens e bronquinhas: "ou faz o que eu tô falando, ou vai morrer, Dona Maria"? Daqueles médicos-mãe, que tiram qualquer parcela conjunta da responsabilidade do paciente no tratamento e iludem, passando a mão na cabeça sempre: "enfisema absurdo. falta de ar cada vez pior. fumando um maço de malborão por dia. vai ficar tudo bem, seu João, só tomar esse remedinho aqui"?
Será que o mundo só está procurando(precisando?) (de) médico que não bebe-come-torresmo-fuma-faz-sexo-casual?

Espero sinceramente que não.
Porque daí .... será que cabe mais um(a) analista de mídia social no mercado? Sou pequena.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

You can leave whenever you want out ...


“Ganhaste, invocadinha. Pára de chiar.”  Diz ele, mezzo rindo mezzo incompreendendo. Rio também. Último gole, ‘bora pra casa que amanhã levanto cedo.

Ele incompreende. Que não é dicotômico, vitória ou derrota, sim ou não. Há todo um espectro, shades of grey. Há os pilares e as motivações por detrás, subtexto etc. E nas vezes em que você os enxerga, fica um pouco difícil simplesmente ignorar e all in.

Mas ele tem razão. A gente que é cético-implicante-cínico-chato precisa escolher. Por mais que procrastinar seja viver. Chega uma(s) hora(s) na vida em que temos que escolher. Entre participar - apesar de críticas e ressalvas, ou fuck-this-shit e ir pra montanha. Pode ser um participar com o intuito de mudar, mas ainda acaba sendo uma escolha entre fazer parte ou não.

O que anda me incomodando é que chegamos num ponto em que se generalizou e se subverteu. O cordão da intolerância cada vez aumenta mais. Ficou hype ser blasé-reclamão-babaca. As pessoas agora ficam acompanhando gente que desprezam, notícias que não lhes interessam, gostos antagônicos aos seus pelo mero prazer de xingar-humilhar-ofender. Haters gonna hate.

You don’t relate to me, no boy. Análise crítica é diferente de ódio besta. Debate pressupõe respeito. Parece que  não sobrou nada que você possa realmente gostar e fazer parte. Sempre vai haver um porém, um senão, “uma traição ao movimento”, uma falta de  análise e perspicácia da sua parte.

Okay, o mundo anda cada vez mais fucked up e há milhares de motivos pra insatisfação. Exatamente por isso cada um descobre o que ainda assim te faz acordar pela manhã. Apesar de. As tais escolhas.
Gotta choose your battles, you know. Nas pequenas e grandes coisas.
Gotta choose o grau de prostituição profissional que estamos dispostos a nos submeter. Como ponte pra fazer o que você realmente curte e acredita, pra pagar as contas e sustentar a família, porque sim, por que não? Na maioria dos empregos somos beátches em maior ou menor grau, mas o quanto vale sua ideologia é uma escolha de batalha pessoal. Escolhi demissão, o que não implica em bullying com quem escolheu continuar.
Relacionamentos impreterivelmente acabam, machucam, têm momentos de total madness dos quais a gente se envergonha. Eu olho ao redor e vejo a maioria das pessoas juntas por razões que não fazem o menor sentido pra mim.  Mas há a decisão. De continuar tentando, mesmo assim; ao invés de ir morar com doze gatos e o redtube.
E o futebol, paixão pra mim e tanta gente, negócio e cifras pra quem trabalha com ele. Enxergo a coação a pagar caro pelo ingresso, o fazer jogo dependendo do horário da novela, os pseudo-ídolos babacas e negociações mercenárias, a pressão pra assinar PFC. Eis que vem a escolha de continuar acompanhando e torcendo sabendo de tudo isso, e não migrar pros campeonatos de bocha.
Não escolhi nascer cética-implicante-cínica-chata. Mas escolho ainda assim gostar de coisas, ainda assim me deixar apaixonar por elas. Enquanto fizer acordar pela manhã. Sei que a montanha eremita me espera mais cedo ou mais tarde, a rabugice vai aumentando a cada aniversário. Mas eu vou pra lá com as lembranças de tudo que causa(ou) taquicardia,  apesar dos defeitos, ainda que com ressalvas. Vida sem paixões é muito chato. A gente anda ficando muito chato. Não é pra parar de enxergar-questionar-querer-mudança. Mas ‘bora arranjar mais espaço pra curtir coisas também. Bring the sixties a little back, will 'ya?!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

And thanks for all the fish ...

Fica. A mancha no sofá. A planta regada uma vez por semana. A persiana torta.
Levo. Shibo na bolsa. Epic na pele. CRM no carimbo.
Lembro. Das 1.582 cervejas & cigarros. Dos 892 sorrisos. Dos 576 sussurros.
Deixo. O primeiro colchão de casal. O segundo eu-te-amo verbalizado. O terceiro soluço teimoso enquanto encaixoto roupas.
Três anos.
Entra pela soleira garotinha-universitária-sustentada-pelos-pais. Entrega a chave cara-de-15-cinismo-de-30-arcando-com-os-próprios-gastos.
Vida que (re)começa. Sem resquícios de cordão umbilical.
Caiu.
Between you and me now, world.
Bring it on.
On and on and on.
Yeah.

Here's living at you, kid.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pros dias de auto-sabotagem emocional ...

(Ou sorrisos mentais do cotidiano)

Random do player escolhendo a música certa pro momento;
Pessoas no metrô lendo livros que não sejam sobre espiritismo-vampiros-auto-ajuda;
Café pra acordar, chá antes de dormir;
Quem compartilha do olhar de desprezo aos bom-dias-alegres-antes-das-nove-da-manhã;
As luzes da Paulista nos dias de fog;
Combos tênis-camiseta-preta-barba-fone-de-ouvido perambulando pelas ruas;
Qualquer coisa com Nutella;
Sarcasmo e/ou ironia quando bem utilizados;
Sexting surpresa no meio da tarde;

Futebol + Heineken + Doritos às quartas-feiras.



                                  ... And then I don't feel so bad.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Keep on walking ...


Mal do século vinte-e-um, angústia da modernidade, murro em ponta de faca, chame como quiser. 
A tal ânsia de querer saber de tudo ao mesmo tempo agora. De querer resolver tudo. De se intrometer.

Toda uma dificuldade em lidar com a sensação de impotência, com o limite tênue entre teimosia e obstinação.
Explica um pouco o porquê da medicina. Ainda que eu despreze minha categoria profissional como classe. Temos em comum o desejo inútil e prepotente de lutar - de achar que lutamos - contra o determinismo, o destino, o foi-Deus-quem-quis, etc.

Até certo ponto.
Odeio o certo ponto. Odeio ir embora, deixar pedaços, assistir passivamente, assumir derrota.
Uma das belezas do envelhecer é ir aprendendo a perder, mesmo que tenha sido por fatality.
Continuo fazendo bico, mas já há uma certa leveza que demora cada vez menos a chegar.
Até certo ponto.

Mortes ainda desequilibram. As reais e as figurativas. Do meu menino, do gaúcho, do bebê de sete dias de vida.
São meu Japão pessoal. Aqueles que depois de dar chance pra conhecer de verdade, conquistam for real.
Coppola-femme e last.fm mostraram que há muito mais pra encantar além de luzes, golpes e sashimi.

Então fico nesse dilema.
De assistir de longe, sem o menor poder de interferência, e lamentar demais, angustiar demais, querer fazer algo.
Ao mesmo tempo, completamente embasbacada com o poder da coisa toda. Forces of nature dizendo FUCK YOU bem na nossa cara. Behold your insignificance, losers.

A gente que acha que manda no universo. Bosta nenhuma. Somos o cachorro nanico megalomaníaco mordendo a perna do pit-bull-do-mundo, sem sequer fazer cócegas.
Insignificância. Impotência.
Deal with it.
Com suas (nossas) pequenas dores, pequenas perdas, pequenas tudo.

Misery and conflict.
Fugia, reclamava, fazia ceninha.
Anda me parecendo cada vez mais necessário.
Makes you alive, makes it worthwhile.
"The only way you can really learn something".

Insights às vezes demoram.
Acho que este finalmente chegou.
: Make it minus seventy. Make it Richter's 10.0.

Que época pra se viver. Pós-Chernobyl. Pré-Fukushima.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Transsiberian express ...

Um nariz torto entre os olhos verdes. Uma pinta esteticamente duvidosa perto da tatuagem fodástica. Uma falha gigante na barba oh-so-hot.

Pequenas coisas estranhas, contrastantes, únicas.
São as pequenas coisas que (me) ganham.
Milionésimos de dessemelhança.

Sotaques ficam entre as top. Louca por sotaques. A pessoa vai falando e vai dando um negócio, uma vontade que fica entre sorrir-e-achar-gracinha e sorrir-e-jogar-na-parede.

Talvez porque junto com os sotaques sempre venham estórias-vivências-visões completamente diversas. Backgrounds nos moldam muito mais do que a gente consegue perceber, e assumir. Backgrounds (me) encantam.
Virando uma amálgama de tanto absorver referências de cada um pelos quais vou esbarrando.

O último apareceu como quem não quer nada. Desprezei quando bati o olho. Mais um daqueles. Pontua na sagacidade, na ironia, na misantropia. Todo um potencial. E sabe disso. Por isso a soberba. Menos mil pontos. Distração aleatória e pontual, no máximo, mesmo.

Mas foi chegando. Sem nenhuma sutileza, nenhuma cobrança, nenhum futuro.
Anda ficando.

Não é o fosse nordestino, é foste, assim gramaticalmente correto.
Tem um quê de ésse carioca, mas sem o incômodo do chiar demais. 
É um tanto cantado, quase que musical.
E o eneagá?
Me chama de guria, me mantém entretida até de maniã.

Tinha que vir lá da selva pra mostrar que tempestades podem ser assustadoras. Já se espera por elas. Vezenquando vai inundar  o caminho e levar tudo. Ficar trancada em casa numa pseudo-proteção não resolve. Auto-comiseração também não.

Pára-com-isso-e-vai-logo-fazer-a-porra-desta-tatuagem.
Make it epic.
Senti cada letra.
Doeu menos do que o sofrimento mental antecipatório.
Ficaí o simbolismo.

Tem que enfrentar. Começar de novo. Arriscar de novo.
Vida que segue.

Uma hora dá certo. Uma hora a gente esbarra com um guarda-chuva, um balde, uma canoa.
Um índio. 
Quem sabe um Henry Rollins

sábado, 29 de janeiro de 2011

Trincheiras do dia-a-dia ...

Ludmila casou apaixonada - e virgem, sendo infectada com o HIV durante a lua-de-mel. Edivaldo tenta esquecer da mulher e da paraplegia com um garrafa de pinga todos os dias. Brenda apanha da mãe adotiva há 14 anos. Sirlei procura consultas semanais pra poder contar a alguém como foi o seu dia.

All that drama. Sim, é pesado. É complexo. Não há quase nada de conhecimento técnico médico e tecnologia que me sejam realmente úteis. Não me lembro de acordar tão disposta pela manhã, na vida.

Não têm superpoderes ou uniformes descolados. Mas andam me salvando. Tanto quanto Miles, Tweedy e Nina.

Voltaram sonhos e perspectivas. Sumiram apatia e depressão.

Happiness isn't always the best way to be happy, I was once told. It couldn't be more right.

My heroes. They're ordinary. They're fucked up. They're fighting.

Just like me.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

457 ...


Relação intensa e extensa de amor e ódio. Daquelas que só os muito íntimos e queridos têm. 
Já quis e tentei ir embora muitas vezes. Já me encantei por alguns outros e quase fiz as malas.
Este ano a possibilidade de despedida nunca foi tão real. Mais uma vez, Paulista foi mais forte. Meu ímã pessoal.
Acho que se renova. Nunca dá pra conhecer tudo.  Nunca cansa por muito tempo. Nunca verdadeiramente satura.
Cada ano é um aspecto diferente. Um lugar diferente. Um encantamento novo.
É o que sou. Mais do que gosto e consigo assumir. Amadurecemos e amadurecendo juntas.
Apesar de. Trânsito. Multidões. Preços. Descaso. Pobreza. Sucateamento. PSDB.
Se não vivem aqui e falam mal, viro bicho. Mas morro de vergonha dos governos e preconceitos e “São Paulo para os paulistas".  Dá pra ser tão melhor, somos tão maiores dos que esses que supostamente nos representam e aparecem nos jornais.
Acho que família é assim. Reclama, discute, aponta dedos em casa. Mas se ama e, de uma forma ou de outra, acaba se entendendo.
Amor apesar de. Faz sentido ainda que.
E São Paulo me entende. Até - e principalmente - nas madrugadas de solidão compartilhada. Não dá pra simplesmente virar as costas pra madrugadas de solidão compartilhada. Eu me encontro e me apaixono nas madrugadas de solidão compartilhada.
E fico por elas. Por pelo menos mais 365 delas. Enquanto fizer sentido. Enquanto fizer bem.
Parabéns, babe. Comemoremos nós.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Who's in a bunker?




Sabe disco riscado? É isso. Não importa o que aconteça no mundo e envolva mulheres. Desde o longínquo primeiro #lingerieday vão sempre existir duas posições na "blogosfera feminista" sobre cada episódio.
Elas vão se alfinetar, ressuscitar "princípios" e birrinhas, e reabrir a caixa de Pandora. Aquela que a galera adora nos comentários, no Reader, retuíta, e reacende o que eu - mais uma vez ingenuamente - acreditava que já tinha virado cinzas.

Freud explica. Terapia ajudaria. Mariana se irrita demais.

Porque novamente o foco, importantíssimo, da discussão fica perdido em meio a tantas pequenezas. O foco óbvio do preconceito e objetificação das mulheres, assim conceito. Inclusive pelo próprio marido de uma delas. Que "defende" a sua e passa o preconceito pra Carla Bruni. Dado que a dele é discretíssima e advogada, a vadia-interesseira-querendo-aparecer é a tal cantora-modelo-francesa.

Não tem uma frente maior do que a outra quando a intenção é desconstruir patriarcado. Os comentários homofóbicos, os sobre a "falta de beleza", e as alusões "de brincadeira" a uma possível morte da presidenta são tão nojentos e revoltantes quanto aqueles que tangem as possíveis razões escusas(?) que fizeram a moça jovem-bonita-e-gostosa (e portanto não tão intelectualmente capacitada) casar com o cara-rico-que-tem-idade-pra-ser-seu-avô. Igualmente lamentáveis e desconstruíveis.

Chega a ser ridículo acreditar que exista "um feminismo"- quantos são? - que aceita as difamações contra a "gostosa" por achar que de alguma forma roubou-se a cena e suplantou o papel da "inteligente" presidenta. Que exista "um feminismo" que permita a concessão de rótulos - velados ou nem tanto - de prostituição a uma determinada mulher por achar que ela simboliza sexualidade-over e a ditadura da beleza. Pra mim é tão inimaginável que a acusação chega a ser absurda.

Somos todas Geisy. A feminista mais anti-hegemônica dos últimos tempos. Aquela que foi - que é - sem saber que é.
Somos todas Dilma. A feminista mais "masculinizada" dos últimos tempos. Aquela que é, em meio a tantas outras bandeiras.
E também Marcela Temer. E Carla Bruni.

Será que é preciso desenhar que essa dicotomia separatista só enfraquece?
Acho que não, né.
Pois então, já passou da hora das meninas irem todas pensar nas briguinhas ali no canto da sala.
Voltem, com ou sem terapia, quando voltar a racionalidade.
Juntas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Do your job etc. ...

São Paulo não se resume à Avenida Paulista. Mas todo paulistano - os que nasceram ou chegaram já nascidos, encontra um canto de lá pra chamar de seu.

Eu tinha a minha esquina.
Lá eu fumava escondido, chorava escondido, beijava escondido, e me escondia das aulas.
Há anos não sentava por lá. Nesses tempos de mundo fazendo pouco sentido, resolvi revisitar.
Seis anos exatamente.
Da última vez eu tinha um resultado de vestibular nas mãos, e todos os sonhos do mundo. Desta, tenho um diploma, e todas as dúvidas do mundo.

E enquanto olhava as pessoas passando, sempre com pressa, mesmo em dezembro, ainda que durante a tarde mais bonita possível. Acontece o inesperado.
- Ei você, não quer ajudar a gente? Conhece nosso projeto?
Procuro alguma pista no panfleto dele com cara de tédio: MSF. Abro um sorriso, a conversa muda.
Em meia hora, divido um cigarro, ganho motivação - aquela que andava perdida,  e a promessa de nos encontrarmos daqui a 03 anos, na África.

Como se precisasse, já de saída, na escada do metrô, ouço um "olha filha, aquela mocinha que me atendeu no pronto-socorro. Nem tinha formado. Mas foi a melhor médica que já me atendeu."
Agora formei, dona. Agora entendi. Às vezes a gente precisa mesmo voltar pra casa pra conseguir enxergar além.