Não encontro mais nada das fotos-gifs-softporn que favoritei nas minhas listas-stars-likes.
Tá uma bagunça completa.
Resolvi continuar juntando aqui:
http://makeitminusfifty.tumblr.com/
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
Sophisticated lady ...
Você é daqueles que descreveriam música como uma espécie de combustível pessoal? Diria que elas têm o poder de realmente te afetar? Você consegue classificá-las dentre rótulos como as-que-te-salvam, as-que-são-como-soco-no-estômago, as-de-ficar-dançandinho-na-cadeira, e mais tantos outros?
Então você faz parte do clube.
E vai entender perfeitamente o que quero dizer quando eu contar minha descoberta de agora.
Eu voltei a escutar A pasta. Aquela empoeirada ali do lado da lixeira.
A pasta.
Cat Power – Bon Iver – Beirut – Explosions in the Sky – Glen Hansard etc.
Voltei a conseguir escutar do jeito de antes.
De morrer um pouquinho, de beleza doída, de dominguites de madrugada.
Depois de longos meses de retorno total ao trash metal da adolescência.
Porque só ali ressoava alguma coisa.
Voltou, I think. Voltei, I guess.
"It’s been a long time long time now."
" When it breaks my hea-a-a-a-a-a-a-a-a-art."
Significa, percebe?
(re)Permitir-se sentir.
“Se a gente puder ir devagarinho como precisa, e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais, então eu acho que nunca que é pesado...”
sábado, 9 de julho de 2011
Belavisteando ...
(Ou, mi casa su casa)
Não, não é mais lá. Onde? Pra mim - eu que nunca manjei muito de geografia - é o coração da cidade. Eu sei, não dá pra ser mais clichê do que isso. Mas é verdade. Fica tudo ali, representado no quadrilátero. Microcosmo pulsando etc. Vem que te mostro. Sim, começa aqui mesmo. Paulista-arranha-céus-engravatados, Gazeta-Pamplona-MASP, estereótipos pra turista se fartar. Cuidado pra não esbarrar nas rodas de estudantes-blasesinhos-Cásper-GV. Como identificar? Fashion victims, cigarro queimando sozinho numa mão, Iphone e café da Starbucks na outra. Continuemos. Isso, Augusta, Consolação, ficam poucos quarteirões à frente; te disse que não era longe. Mas vem que o que eu quero mesmo te mostrar não é isso. Tá, ‘bora descer pela Frei Caneca então, a gente dá a volta lá embaixo. Aham, aqui a galera se sente à vontade pra beijar e andar de mão dada. Deveria ser assim em todo lugar, não acha? Ih, o Glória fica do outro lado, na Treze de Maio. Mas eu duvido que você ainda queira ir pra lá depois do que eu vou te mostrar. Continua seguindo em frente. Haha, deve mesmo ser a maior concentração de hotéis e teatros por metro quadrado. Hospitais também, ou então eu nunca poderia trazer minha cuia pra cá. A gente vai virar ali à direita, na Avanhandava. Essa mesmo, da famiglia famosa. Mas as cantinas delícia pra mim são as perto da Achiropita, amanhã a gente almoça por lá. Continua descendo a ladeira. Ah, ‘cê tá achando esses prédios luxuosos? É que a gente ainda não chegou no Morro dos Ingleses. Único lugar da região em que não vejo morador de rua. Certeza que mandam os seguranças dos duplex “limparem” a rua. Não, não vou contar pr’aonde tô te levando. ‘Guenta que falta pouco. As sirenes? Deve ser a polícia batendo na boca da Paim mais uma vez. Atravessa com cuidado que vira e mexe tem tiro. Medo? Eu fico é triste. Tem tanta gente bacana morando naqueles prédios. Um argentino que compõe tangos, umas senhorinhas da (ex)Tchecoslováquia com estórias de vida - e de guerra - inacreditáveis, e um dos meus pacientes favoritos: o gaitista diabético, incrível e lesado. Não, não cheira nada, pelo menos não que eu saiba. Lesado porque cismou que vai me ensinar a diatônica. Quais as chances da canhota aqui conseguir?! Mas ele bluesando é qualquer coisa de orgásmico. Sério. Adoro quando tenho que fazer VD por lá. Ah, desculpa. VD é visita domiciliar. Todo mundo dessa rua é paciente meu, da minha equipe de PSF. Haha, programa de saúde da família. Quando começo com as siglas não paro mais. Ei, prest’enção aí no semáforo que a galera passa voando na Nove de Julho. Pronto. Tá vendo aqui? Praça 14 Bis. Essa rua à esquerda é a São Vicente. Sim, é a quadra da Vai-Vai. Calma, não me agradece ainda que a quadra só vai bombar mesmo mais tarde. Continua seguindo a rua. Tá ouvindo? Isso, naquele boteco. ‘Bora sentar. Exatamente, babe. Te trouxe pr’um samba no Bixiga. Rua Major, casa do Nicola, pacote completo. Nah, trago todo mundo não. Na verdade você é um dos únicos. Só trago quem eu sei que vai curtir com essa cara que ‘cê tá fazendo agora. Cara de bobo? Não, de quem entende o encanto de belavistear. Deixa de ser besta. Tem que agradecer nada não. Só me ensina a acompanhar o ritmo na caixinha de fósforos que ‘tamos quites.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Pros dias de auto-sabotagem emocional ...
(Ou sorrisos mentais do cotidiano)
Random do player escolhendo a música certa pro momento;
Pessoas no metrô lendo livros que não sejam sobre espiritismo-vampiros-auto-ajuda;
Café pra acordar, chá antes de dormir;
Quem compartilha do olhar de desprezo aos bom-dias-alegres-antes-das-nove-da-manhã;
As luzes da Paulista nos dias de fog;
Combos tênis-camiseta-preta-barba-fone-de-ouvido perambulando pelas ruas;
Qualquer coisa com Nutella;
Sarcasmo e/ou ironia quando bem utilizados;
Sexting surpresa no meio da tarde;
Futebol + Heineken + Doritos às quartas-feiras.
... And then I don't feel so bad.
Random do player escolhendo a música certa pro momento;
Pessoas no metrô lendo livros que não sejam sobre espiritismo-vampiros-auto-ajuda;
Café pra acordar, chá antes de dormir;
Quem compartilha do olhar de desprezo aos bom-dias-alegres-antes-das-nove-da-manhã;
As luzes da Paulista nos dias de fog;
Combos tênis-camiseta-preta-barba-fone-de-ouvido perambulando pelas ruas;
Qualquer coisa com Nutella;
Sarcasmo e/ou ironia quando bem utilizados;
Sexting surpresa no meio da tarde;
Futebol + Heineken + Doritos às quartas-feiras.
... And then I don't feel so bad.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
That's all folks!
Tem assunto que é polêmico. Outros, delicados. E tem aqueles pessoalíssimos, quase que inabordáveis. Por quem e pra quem vivenciou a experiência. Seja por conta própria ou através de alguém muito próximo.
Suicídio é um dos principais.
Sempre respondia de pronto, muito convicta e assertiva. Nas discussões, botecagens, after-sex-talks. Que achava que a condição mínima pra alguém entrar em qualquer jogo - ainda mais nesse maluco de que a gente participa - é ter o direito de antecipar a hora do game-over. E que não achava justo estereotipar(em) todos os atos como fraqueza, impulsividade, doença. Que podia ser sim, também, escolha.
Daí aprendi sobre neurotransmissores e psicofármacos.
Daí tive que juntar meu menino e suicídio numa mesma frase.
Daí o mundo como eu conhecia, junto com as convicções, desabou.
Porque vi muita gente transformar totalmente discursos e (falta de) projetos de vida com alguns comprimidos e/ou horas de terapia. Mas também vi vários outros, sedadíssimos-instáveis-ainda-infelizes, numa existência zumbi. Tudo porque convenções sociais decidiram (decidimos) que é errado, e doente, eles optarem que chega.
Não acredito num objetivo felicidade-comercial-de-margarina. Vida tem que ter sofrimento também. Pacote completo. Mas cada um é que sabe o quanto aguenta, o quanto quer aguentar, o tanto que apesar de ainda vale a pena.
Fui forçada a fazer, verbalmente, um juramento a favor da vida. Preferi, e fiz mentalmente, um a favor das pessoas. A favor do direito de receberem escuta, cuidado e opções. Do direito de escolha após experimentarem as opções e seus respectivos resultados. Escolha sobre quando gerar um outro ser, escolha sobre como exterminar os próprios fantasmas.
Ainda assim, fica um rasgo enorme. Quando um daqueles que fazem você achar que essa porra toda vale a pena decreta um fim. Fim sem preparar o público, sem experimentar outras possibilidades de enredo. Um fim pra algo que pra você ainda tinha tantas tantas tantas cenas.
Não sei se um dia fecha. Com frequência reabre o que já parecia cicatrizado.
Maior casca ever.
Pra lembrar que ainda sei sentir.
Sentir EPIC.
Pra lembrar de não deixar mais escapar quem(ns) te faz sentir assim.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Keep on walking ...
Mal do século vinte-e-um, angústia da modernidade, murro em ponta de faca, chame como quiser.
A tal ânsia de querer saber de tudo ao mesmo tempo agora. De querer resolver tudo. De se intrometer.
Toda uma dificuldade em lidar com a sensação de impotência, com o limite tênue entre teimosia e obstinação.
Explica um pouco o porquê da medicina. Ainda que eu despreze minha categoria profissional como classe. Temos em comum o desejo inútil e prepotente de lutar - de achar que lutamos - contra o determinismo, o destino, o foi-Deus-quem-quis, etc.
Até certo ponto.
Odeio o certo ponto. Odeio ir embora, deixar pedaços, assistir passivamente, assumir derrota.
Uma das belezas do envelhecer é ir aprendendo a perder, mesmo que tenha sido por fatality.
Continuo fazendo bico, mas já há uma certa leveza que demora cada vez menos a chegar.
Até certo ponto.
Mortes ainda desequilibram. As reais e as figurativas. Do meu menino, do gaúcho, do bebê de sete dias de vida.
São meu Japão pessoal. Aqueles que depois de dar chance pra conhecer de verdade, conquistam for real.
Então fico nesse dilema.
De assistir de longe, sem o menor poder de interferência, e lamentar demais, angustiar demais, querer fazer algo.
Ao mesmo tempo, completamente embasbacada com o poder da coisa toda. Forces of nature dizendo FUCK YOU bem na nossa cara. Behold your insignificance, losers.
A gente que acha que manda no universo. Bosta nenhuma. Somos o cachorro nanico megalomaníaco mordendo a perna do pit-bull-do-mundo, sem sequer fazer cócegas.
Insignificância. Impotência.
Deal with it.
Com suas (nossas) pequenas dores, pequenas perdas, pequenas tudo.
Misery and conflict.
Fugia, reclamava, fazia ceninha.
Anda me parecendo cada vez mais necessário.
Makes you alive, makes it worthwhile.
"The only way you can really learn something".
Insights às vezes demoram.
Acho que este finalmente chegou.
: Make it minus seventy. Make it Richter's 10.0.
Que época pra se viver. Pós-Chernobyl. Pré-Fukushima.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
An ode to no one ...
Uma espécie de catarse. Quem esperou hits e nineties-revival saiu decepcionado. Ele entenderia, talvez o único que entenderia, o real significado de estar ali. Ao vivo e sozinha. Finalmente. Não faria sentido ir com mais ninguém, percebe?
Ele sequer faz idéia de que eu estive ali.
Um dos ícones. De tudo. Aversão a multidões. Necessidade de tempo a sós. Implicância com a maioria dos gostos e opiniões das pessoas da mesma idade. Eterna busca por algo que não se faz idéia.
Chronic dissatisfaction futebol clube. Pacote completo.
Demorou uns dez anos pra começar a aceitar. Pra entender que tem os que fazem parte do grupo. E os lone wolves.
E não é tão glamouroso quanto parece. Não ser integrante do bando. Nem tão simples.
Se você deixar, acaba acreditando nos olhares reprovadores e comentários de tem-algum-problema-com-essa-menina.
Menina. Ele bem dizia. Em público você só aparenta ser a mulher que é in private quando fuma-ironiza-ou-fala-putaria. Ele enxergou sem que eu precisasse fumar-ironizar-falar-putaria. Alguns - raros - enxergam. E com eles eu sinto um ímpeto inusitado de morder até arrancar pedaço e nos deixar fazer planos.
Planos que a gente faz(ia) sem o menor compromisso de concretizar. Pra afiar a mente, pra jogar pro universo, pra concordar e implicar propositadamente. Poucas coisas escancaram mais o meu amor do que implicanciazinhas-for-the-kicks sobre pequenezas discordantes, em meio a tagarelices-nonsense sobre o importante em comum. É a confissão maior. Assim em subtexto.
Coltrane versus Miles. Praga ou Bratislava. Yorke ou Tweedy. Heineken ou Guinness.
Num mundo de Restarts, Portos Seguro e Novas Schin, é amor, babe(s). Muito amor. When loners collide. Pode brindar com o scotch que eu boto gelo no bourbon.
*Tim-tim*
We only come out at night.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Trincheiras do dia-a-dia ...
Ludmila casou apaixonada - e virgem, sendo infectada com o HIV durante a lua-de-mel. Edivaldo tenta esquecer da mulher e da paraplegia com um garrafa de pinga todos os dias. Brenda apanha da mãe adotiva há 14 anos. Sirlei procura consultas semanais pra poder contar a alguém como foi o seu dia.
All that drama. Sim, é pesado. É complexo. Não há quase nada de conhecimento técnico médico e tecnologia que me sejam realmente úteis. Não me lembro de acordar tão disposta pela manhã, na vida.
Não têm superpoderes ou uniformes descolados. Mas andam me salvando. Tanto quanto Miles, Tweedy e Nina.
Voltaram sonhos e perspectivas. Sumiram apatia e depressão.
Happiness isn't always the best way to be happy, I was once told. It couldn't be more right.
My heroes. They're ordinary. They're fucked up. They're fighting.
Just like me.
All that drama. Sim, é pesado. É complexo. Não há quase nada de conhecimento técnico médico e tecnologia que me sejam realmente úteis. Não me lembro de acordar tão disposta pela manhã, na vida.
Não têm superpoderes ou uniformes descolados. Mas andam me salvando. Tanto quanto Miles, Tweedy e Nina.
Voltaram sonhos e perspectivas. Sumiram apatia e depressão.
Happiness isn't always the best way to be happy, I was once told. It couldn't be more right.
My heroes. They're ordinary. They're fucked up. They're fighting.
Just like me.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
457 ...
Relação intensa e extensa de amor e ódio. Daquelas que só os muito íntimos e queridos têm.
Já quis e tentei ir embora muitas vezes. Já me encantei por alguns outros e quase fiz as malas.
Este ano a possibilidade de despedida nunca foi tão real. Mais uma vez, Paulista foi mais forte. Meu ímã pessoal.
Acho que se renova. Nunca dá pra conhecer tudo. Nunca cansa por muito tempo. Nunca verdadeiramente satura.
Cada ano é um aspecto diferente. Um lugar diferente. Um encantamento novo.
É o que sou. Mais do que gosto e consigo assumir. Amadurecemos e amadurecendo juntas.
Apesar de. Trânsito. Multidões. Preços. Descaso. Pobreza. Sucateamento. PSDB.
Se não vivem aqui e falam mal, viro bicho. Mas morro de vergonha dos governos e preconceitos e “São Paulo para os paulistas". Dá pra ser tão melhor, somos tão maiores dos que esses que supostamente nos representam e aparecem nos jornais.
Acho que família é assim. Reclama, discute, aponta dedos em casa. Mas se ama e, de uma forma ou de outra, acaba se entendendo.
Amor apesar de. Faz sentido ainda que.
E São Paulo me entende. Até - e principalmente - nas madrugadas de solidão compartilhada. Não dá pra simplesmente virar as costas pra madrugadas de solidão compartilhada. Eu me encontro e me apaixono nas madrugadas de solidão compartilhada.
E fico por elas. Por pelo menos mais 365 delas. Enquanto fizer sentido. Enquanto fizer bem.
Parabéns, babe. Comemoremos nós.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Do your job etc. ...
São Paulo não se resume à Avenida Paulista. Mas todo paulistano - os que nasceram ou chegaram já nascidos, encontra um canto de lá pra chamar de seu.
Eu tinha a minha esquina.
Lá eu fumava escondido, chorava escondido, beijava escondido, e me escondia das aulas.
Há anos não sentava por lá. Nesses tempos de mundo fazendo pouco sentido, resolvi revisitar.
Seis anos exatamente.
Da última vez eu tinha um resultado de vestibular nas mãos, e todos os sonhos do mundo. Desta, tenho um diploma, e todas as dúvidas do mundo.
E enquanto olhava as pessoas passando, sempre com pressa, mesmo em dezembro, ainda que durante a tarde mais bonita possível. Acontece o inesperado.
- Ei você, não quer ajudar a gente? Conhece nosso projeto?
Procuro alguma pista no panfleto dele com cara de tédio: MSF. Abro um sorriso, a conversa muda.
Em meia hora, divido um cigarro, ganho motivação - aquela que andava perdida, e a promessa de nos encontrarmos daqui a 03 anos, na África.
Como se precisasse, já de saída, na escada do metrô, ouço um "olha filha, aquela mocinha que me atendeu no pronto-socorro. Nem tinha formado. Mas foi a melhor médica que já me atendeu."
Agora formei, dona. Agora entendi. Às vezes a gente precisa mesmo voltar pra casa pra conseguir enxergar além.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
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