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domingo, 6 de novembro de 2011

Maaaaaaaaaaaaaaps ...

Você percebe o quanto algo é realmente importante quando começa a ter medo de perdê-lo. Você começa a entender o mínimo sobre a vida quando aceita que  - mais cedo ou mais tarde - vai perder importâncias. Com ou sem medo. Ainda que com luta.

É o que eu acho que mais (trans)forma uma pessoa. As derrotas, as (im)possibilidades, os desvios, os quase. A vida que poderia ter sido e não foi.
A gente é o que consegue fazer com o que sobrou. As frustrações, as mágoas, os cacos estilhaçados pelo chão. O vazio que invade quando saem batendo a porta.
Faz crescer, cria casca, dá esteio.

Então eu espero que você entenda quando lhe desejar com o maior carinho do mundo:
Que alguma vez na vida você cante wait-they-don't-love-you-like-I-love-you por alguém com lagriminha escorrendo junto às da linda da Karen O.
Que alguma vez na vida o seu Angus não volte.

Uma vez tá bom.
Mas se calhar de ser mais de uma, favor não querer me bater nem me achar maluca quando eu sorrir pra você com meu sorriso de cumplicidade. E de admiração.


sábado, 22 de outubro de 2011

Não existe amor em ésse-pê ...


Tony fuckin' Montana

Passo pelo hall e o porteiro entrega o embrulho. “Agora que acabou a greve, tá chegando pacote aos montes. Assina aqui, por favor.” Garrancho digno de mão direita, que dia é hoje mesmo? “Vinte-e-um, sexta.” Ah, sexta. “Deixo subir direto quando chegar o barbudo, dona?” Sou dona não, moço. E 'brigada, mas hoje não tô esperando barbudo nenhum. “Cansada, sei como é.” Meio-sorriso e aceno a caminho do elevador. Cansada de gente, moço. Será que você entende? Dá de tempos em tempos. Mais freqüentemente do que eu gostaria.

Rasgo o embrulho com o dente ainda no elevador, como criança curiosa que sempre serei. Reconheço a letra do bilhete junto à camiseta. Nó no estômago. Acho que preciso de vinho pra ler qualquer coisa que possa vir daí. Mas já tinha dado pra ver o Tony Montana assim de soslaio. Sorrisos. Sorrisos ao cubo, porque lembrar de aniversário sem facebook ou twitter não é qualquer merda não. Lembrar e resolver escrever depois de tanto tempo de silêncio deu uma desmontada na armadura mandaquiana.

Só eu sei o quanto tentei me apaixonar por ti, guri. Quis muito. Muito mesmo. Tu merecias. Na teoria seria perfeito. Eu merecia. Enterrei dois amores em seis meses e ansiava demais por virar a página. Mas na prática não funciona assim, né. E sou chata, já lhe disse. Me apaixono quase nunca. Porque quando vem é de foder, dá até medo. E sou estranha, já lhe disse. Não me vejo casada e com filhos daqui a cinco anos. Talvez nunca. Intuiçãozinha diz que não vou “sossegar” com ninguém não. E tudo bem. Anda cada vez mais okay esse negócio de viver “lances”. Minor lances. Só que contigo não dava pra ser minor, né. Não seria justo. Então entendo distância. Entendo silêncio. Mesmo.

Eu sou você. Com os dois lá de cima. Já fiz papelzinho ridículo e tudo. Então entendo mesmo. E acho que vou me desculpar até o fim dos dias. E o carinho vai continuar sendo major até o fim dos dias. Fuckin’ huge. Se um dia achar que der, volta. Do jeito que conseguir. Vou achar lindo. Fuckin’ beautiful. Mesmo sendo bastante improvável.

Lembra quando você disse que seu maior medo era não conseguir mais gostar tanto de alguém?
O meu é o de conseguir, e ter de enterrar de novo.

"Aqui ninguém vai pro céu", babe.

domingo, 9 de outubro de 2011

26 ...

(Ou "What matters most is how well you walk through the fire".)


Imunidade de 01. Paladar de 13. Tamanho de 15. Cara de 18. Cinismo de 30. Fígado de 35.
Manias e reclamações de tiazona. Sarcasmo de quem vai pro inferno. TPM de quem já tá lá.
Choro tal criança de 05. Saudade qual senhorzinho de 80.

Fobia social e ansiedade que talvez precisassem de remédio. Teimosia e ceticismo que rejeitam a teoria do remédio.

Vícios novos de 02 em 02 anos. Paixões de foder com a vida de 05 em 05. Planos de viagens megalomaníacas anualmente.

Angustiazinha e questionamentos quase sempre. Felicidade vezenquando.

A melhor parte é ir virando Pretorian fighter.
:Enterrando idealizações. Entendendo que vai ser turbulento, que vai ser caótico, que vai ser vezenquando. E hey, é okay que seja assim.



(CB, Bone Palace Ballet: New Poems)

domingo, 31 de julho de 2011

Sophisticated lady ...

Você é daqueles que descreveriam música como uma espécie de combustível pessoal? Diria que elas têm o poder de realmente te afetar? Você consegue classificá-las dentre rótulos como as-que-te-salvam, as-que-são-como-soco-no-estômago, as-de-ficar-dançandinho-na-cadeira, e mais tantos outros?
Então você faz parte do clube.
E vai entender perfeitamente o que quero dizer quando eu contar minha descoberta de agora.

Eu voltei a escutar A pasta. Aquela empoeirada ali do lado da lixeira.
A pasta.
Cat Power – Bon Iver – Beirut – Explosions in the Sky – Glen Hansard etc.
Voltei a conseguir escutar do jeito de antes.
De morrer um pouquinho, de beleza doída, de dominguites de madrugada.

Depois de longos meses de retorno total ao trash metal da adolescência.
Porque só ali ressoava alguma coisa.

Voltou, I think. Voltei, I guess.
"It’s been a long time long time now."
" When it breaks my hea-a-a-a-a-a-a-a-a-art."
Significa, percebe?
(re)Permitir-se sentir.

“Se a gente puder ir devagarinho como precisa, e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais, então eu acho que nunca que é pesado...”


terça-feira, 19 de julho de 2011

Pras gurias de hoje ...


Se tem algo que aprendi por ter muito mais amigos homens que mulheres. Se tivesse que escolher um item pra contar pras amigas, conhecidas, gurias descontroladas no banheiro de hoje, seria isto: não julguem os caras – nem ninguém - pelo fim, pela forma de comportamento após o término de um relacionamento.

Tudo bem que estereotipar um gênero inteiro é raso, injusto, determinista. Pessoas são bastante diferentes por mais parecidas que possam ser, por mais cromossomos em comum que tenham. Ainda assim, gostaria que elas entendessem: não os julguem pelo fim. Mesmo.

Se ele tá passando o rodo em todas. Se não conversa ou fica monossilábico contigo online. Se foi teu aniversário e ficaste esperando pelo parabéns que não veio. Se em semanas ele já aparecer de namorada nova. Nada disso “dessignifica” o que vocês viveram. Trust me.

Eles – muitos deles - sentem, sofrem, e seguem em frente de forma diferente do que a maioria(?) de nós, diferente da forma que egoisticamente gostaríamos. O que não quer dizer que não estejam sofrendo, que não sintam saudades, que não se lembrem.

Lógico que mesmo sabendo disso, também me machuco-magôo-fico-com-raivinha. Mas tento fazer da situação algo pontual, parte dos momentos de misery&madness que normalmente compõem meu processo de moving-on. Não trasformo em algo maior achando que fui enganada, que só eu estava envolvida na relação, que foi tudo um grande desperdício de tempo e sentimentos. “Olha como o filho-da-puta está bem enquanto eu aqui na merda o vendo em tudo o que encontro pela frente”. Nada disso me faz querer vingança, ou aparecer gostosona na frente dele com outro, nem pegar os amigos próximos por birra.

Até porque, mesmo se o "filho-da-puta” estiver mesmo já em outra e feliz, se você não foi tão marcante assim pro cara, etc. Isso muda o que viveu e significou pra ti? Transforma as lembranças, aprendizados, sussurros em algo inválido e sem qualquer tipo de importância?
Não deveria.
Essa é uma questão que toda vez que alguém tentar supor, provavelmente estará bastante enganado. Ninguém além de si sabe o quanto tal pessoa realmente significa. Principalmente baseado nas atitudes de um período tão peculiar e cruel.
Cada um lida com a perda como bem entende, como bem consegue.
Então é assim. Sofra o que tiver de sofrer, xingue se te ajudar a superar mais rápido, leve o tempo que precisar. Mas não reescreva lembranças ou apague memórias forçosamente por causa de comportamentos depois do fim.
Se eu te contar quantos deles comem todas, enquanto comigo só falam de vocês. Quantos deles me apresentam a namorada nova, mas depois de dois uísques me puxam pr’um canto pra contar que elas nunca vão ser vocês. Quantos deles lembram do aniversário, daquela viagem, daquela transa. Se escutassem o que eu escuto, não jogariam os meninos e o relacionamento que tiveram no ostracismo por todas essas besteiras que escuto por aí.
   
Nerds, hustlers, players, romeus. Sobra testosterona. Falta inteligência emocional. Mas hey, tenho certeza que no fundo vocês, assim como eu, os acham adoráveis .

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

An ode to no one ...

Uma espécie de catarse. Quem esperou hits e nineties-revival saiu decepcionado. Ele entenderia, talvez o único que entenderia, o real significado de estar ali. Ao vivo e sozinha. Finalmente. Não faria sentido ir com mais ninguém, percebe?

Ele sequer faz idéia de que eu estive ali.

Um dos ícones. De tudo. Aversão a multidões. Necessidade de tempo a sós. Implicância com a maioria dos gostos e opiniões das pessoas da mesma idade. Eterna busca por algo que não se faz idéia.

Chronic dissatisfaction futebol clube. Pacote completo.

Demorou uns dez anos pra começar a aceitar. Pra entender que tem os que fazem parte do grupo. E os lone wolves.

E não é tão glamouroso quanto parece. Não ser integrante do bando. Nem tão simples.

Se você deixar, acaba acreditando nos olhares reprovadores e comentários de tem-algum-problema-com-essa-menina.

Menina. Ele bem dizia. Em público você só aparenta ser a mulher que é in private quando fuma-ironiza-ou-fala-putaria. Ele enxergou sem que eu precisasse fumar-ironizar-falar-putaria. Alguns - raros - enxergam. E com eles eu sinto um ímpeto inusitado de morder até arrancar pedaço e nos deixar fazer planos.

Planos que a gente faz(ia) sem o menor compromisso de concretizar. Pra afiar a mente, pra jogar pro universo, pra concordar e implicar propositadamente. Poucas coisas escancaram mais o meu amor do que implicanciazinhas-for-the-kicks sobre pequenezas discordantes, em meio a tagarelices-nonsense sobre o importante em comum. É a confissão maior. Assim em subtexto.

Coltrane versus Miles. Praga ou Bratislava. Yorke ou Tweedy. Heineken ou Guinness.

Num mundo de Restarts, Portos Seguro e Novas Schin, é amor, babe(s). Muito amor. When loners collide. Pode brindar com o scotch que eu boto gelo no bourbon.

*Tim-tim*

We only come out at night.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Deu pra ti?

Deu pra mim. Deu pra nós.

You're such a charmer, alright.

But I've become such a player, these days.

Te cuida.

Te gosto. Te gostam.

Go get'em, babe.

I just cannot do it once again.

Not that soon.

: Relationship.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Apenas o fim ...



Eu adoro coisa simples. Diálogos. Conversa besta, sobre pequenas coisas, que na verdade são enormes. Referências nerds. Miles Davis. Essa atmosfera amadora, home-made, precisando de retoques.

Acho que clichês, vezenquando, caem muito bem.
E acho que foi por isso que acabei me encantando com esse filme. Bobinho, simplesinho, "despretensioso". Parecido com um monte de coisa que a gente já viu. Cara de trabalho de faculdade da galera de humanas que circulava pelo campus.

Longe de ser obra-prima. Ao mesmo tempo, muito próximo, muito cativante, muito identificável.
Eu sou ela, pra além  das pernas finas e da complicação sem fim. Eu sou ele, pra além das filosofadas espirituosas sobre futilidades. Escondendo – ou tentando esconder - o quão vulnerável a gente na verdade é com tudo o que ultrapassa a carapaça de ironia. E toca.
"Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco.” (CFA)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Montauk ...



So you guys think you're tough, huh? 
Tudo muito bem, obrigada. Emocionalmente mais estável, impossível.
I dare you, I double dare you motherfucker a assistir, assim de sopetão. Como quem zappeia a tevê no fim de noite e encontra o filme começando. "Adoro esse filme, que sorte, 'bora assistir."
Não caia nessa, não. Eu caí. Eu que sempre me achei forte. Que andei esses dias todos com o adesivo do emocionalmente estável orgulhoso na testa.
Era um teste surpresa. E bem, não ando me preparando.
Sopraram de volta tudo o que eu varri pra debaixo do tapete. 
"Toma, é teu."
É meu, eu sei. Mas agora não dá pra levar. Mando buscar depois.
Tough, huh. Tough é pintar o sorriso falso pra sair de casa amanhã. Depois de morrer um tanto.
Espero que você consiga se sair melhor do que eu.
No teste. Meu sorriso falso é digno de Oscar.