segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bukowskiemos ...




"- You been married?
 - Yes.
 - What happened?
 - Mental cruelty, according to the divorce papers.
 Was it true?  she asked.
 - Of course: both ways. "

" None of us quite know how to use sex, what to do with it, I said.
 - With most people sex is just a toy --wind it up and let it run.
 What about love? , asked Valerie.
 - Love is all right for those who can handle the psychic overload. It's like trying to carry a full garbage can on your back over a rushing river of piss."


"- Are you good to the people who love you?
  - No, I'm not.
  - Why?
  - I'm infantile; I can't handle it."

"It felt good not to be part of that sort of thing. I was glad I wasn't in love, that I wasn't happy with the world. I like being at odds with everything. People in love often become edgy, dangerous. They lose their sense of perspective. They lose their sense of humor. They become nervous, psychotic bores. They even become killers."

(Singela homenagem a todos que andam(os) numa fase de love-that-shit-ain't-for-me.)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pros dias de auto-sabotagem emocional ...

(Ou sorrisos mentais do cotidiano)

Random do player escolhendo a música certa pro momento;
Pessoas no metrô lendo livros que não sejam sobre espiritismo-vampiros-auto-ajuda;
Café pra acordar, chá antes de dormir;
Quem compartilha do olhar de desprezo aos bom-dias-alegres-antes-das-nove-da-manhã;
As luzes da Paulista nos dias de fog;
Combos tênis-camiseta-preta-barba-fone-de-ouvido perambulando pelas ruas;
Qualquer coisa com Nutella;
Sarcasmo e/ou ironia quando bem utilizados;
Sexting surpresa no meio da tarde;

Futebol + Heineken + Doritos às quartas-feiras.



                                  ... And then I don't feel so bad.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

That's all folks!


Tem assunto que é polêmico. Outros, delicados. E tem aqueles pessoalíssimos, quase que inabordáveis. Por quem e pra quem vivenciou a experiência. Seja por conta própria ou através de alguém muito próximo.

Suicídio é um dos principais.

Sempre respondia de pronto, muito convicta e assertiva. Nas discussões, botecagens, after-sex-talks. Que achava que a condição mínima pra alguém  entrar em qualquer jogo - ainda mais nesse maluco de que a gente participa - é ter o direito de antecipar a hora do game-over. E que não achava justo estereotipar(em) todos os atos como fraqueza, impulsividade, doença. Que podia ser sim, também, escolha.

Daí aprendi sobre neurotransmissores e psicofármacos.
Daí tive que juntar meu menino e suicídio numa mesma frase.
Daí o mundo como eu conhecia, junto com as convicções, desabou.

Porque vi muita gente transformar totalmente discursos e (falta de) projetos de vida com alguns comprimidos e/ou horas de terapia. Mas também vi vários outros, sedadíssimos-instáveis-ainda-infelizes, numa existência zumbi. Tudo porque convenções sociais decidiram (decidimos) que é errado, e doente, eles optarem que chega.

Não acredito num objetivo felicidade-comercial-de-margarina. Vida tem que ter sofrimento também. Pacote completo. Mas cada um é que sabe o quanto aguenta,  o quanto quer aguentar, o tanto que apesar de ainda vale a pena.

Fui forçada a fazer, verbalmente, um juramento a favor da vida. Preferi, e fiz mentalmente, um a favor das pessoas. A favor do direito de receberem escuta, cuidado e opções. Do direito de escolha após experimentarem as opções e seus respectivos resultados. Escolha sobre quando gerar um outro ser, escolha sobre como exterminar os próprios fantasmas.

Ainda assim, fica um rasgo enorme. Quando um daqueles que fazem você achar que essa porra toda vale a pena decreta um fim. Fim sem preparar o público, sem experimentar outras possibilidades de enredo. Um fim pra algo que pra você ainda tinha tantas tantas tantas cenas.

Não sei se um dia fecha. Com frequência reabre o que já parecia cicatrizado.

Maior casca ever.

Pra lembrar que ainda sei sentir.
Sentir EPIC.
Pra lembrar de não deixar mais escapar quem(ns) te faz sentir assim.

domingo, 27 de março de 2011

Para no olvidar ...

(Ou entre Sant'ana e Santa Tereza)

Da primeira vez, não era nada além de uma fuga.
Escolha baita certeira de lugar pra fugir. Impossível lembrar do que (te) faz sangrar com aquele laranja na frente. Brique-Redenção-Guaíba derrubando o queixo e os butiá do bolso.

Impossível, também, dizer que não cativa. Pra além dos clichês.

Não é uma cidade fácil, muito pelo contrário. Heavy-drugs, preconceitos, e costumes podem afastar - e assustar - se você se deixar levar somente por primeiras impressões.

Numa primeira impressão, sinceridade extrema pode ser encarada como grosseria.
Num primeiro momento, há inveja das gurias-enormes-irritantemente-gostosas.
Numa primeira impressão, só se sente o amargo do chimas.
À primeira vista, era só mais um outsider com senso de humor querendo me levar pra cama.

Mas entre meias taças no Centro e cevas na Cidade Baixa, entre livros e túneis de árvores, entre Scliars e Caios Fernandos, falsas impressões vão se desfazendo.
Dia após dia, ida após ida.

Daí já era. Quando tu vê, já não consegue mais ficar sem os insights cruéis de tão diretos. Tu vira tão íntima das gostosas que compartilha saliva. Tu lembra do mate toda vez que acende um cigarro. E enxerga paixão nos olhos do gaudério, - daquele mesmo tipo que te fez fugir (e chegar até ali) quando percebeu que não ia vingar.

Não tinha como esconder a atração, a identificação. Escancarada. Pra quem quisesse ver.
Exatamente por isso, ninguém entendeu quando disse não. À mudança, à especialização, ao torcer pelo Grêmio bebendo vinho, ao "ver no que (a gente) vai dar, guria".
Ninguém entendeu que seria pelas razões erradas, pelo caminho mais fácil, seria brincar com sentimentos alheios só porque brincaram com os meus.

Timing is everything. E o nosso wasn't right. Me levava pra ouvir Tiê enquanto no meu Ipod só tocava Kerry King.
Fantasmas perseguem independentemente do sotaque. É preciso - eu preciso - encerrar e entender tudo aqui antes de fazer malas. Seguir com a bagagem leve.

Te fresqueia, babe.

Tu sabes, eu sei, ela (a cidade) sabe, que logo "vou ir".
Pra comemorar os 241 anos.
Pra conhecer tua nova prenda.
Pra brindar pelos (nossos) broken-hearts finally healed.

Bah, pra ficar de vez.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Keep on walking ...


Mal do século vinte-e-um, angústia da modernidade, murro em ponta de faca, chame como quiser. 
A tal ânsia de querer saber de tudo ao mesmo tempo agora. De querer resolver tudo. De se intrometer.

Toda uma dificuldade em lidar com a sensação de impotência, com o limite tênue entre teimosia e obstinação.
Explica um pouco o porquê da medicina. Ainda que eu despreze minha categoria profissional como classe. Temos em comum o desejo inútil e prepotente de lutar - de achar que lutamos - contra o determinismo, o destino, o foi-Deus-quem-quis, etc.

Até certo ponto.
Odeio o certo ponto. Odeio ir embora, deixar pedaços, assistir passivamente, assumir derrota.
Uma das belezas do envelhecer é ir aprendendo a perder, mesmo que tenha sido por fatality.
Continuo fazendo bico, mas já há uma certa leveza que demora cada vez menos a chegar.
Até certo ponto.

Mortes ainda desequilibram. As reais e as figurativas. Do meu menino, do gaúcho, do bebê de sete dias de vida.
São meu Japão pessoal. Aqueles que depois de dar chance pra conhecer de verdade, conquistam for real.
Coppola-femme e last.fm mostraram que há muito mais pra encantar além de luzes, golpes e sashimi.

Então fico nesse dilema.
De assistir de longe, sem o menor poder de interferência, e lamentar demais, angustiar demais, querer fazer algo.
Ao mesmo tempo, completamente embasbacada com o poder da coisa toda. Forces of nature dizendo FUCK YOU bem na nossa cara. Behold your insignificance, losers.

A gente que acha que manda no universo. Bosta nenhuma. Somos o cachorro nanico megalomaníaco mordendo a perna do pit-bull-do-mundo, sem sequer fazer cócegas.
Insignificância. Impotência.
Deal with it.
Com suas (nossas) pequenas dores, pequenas perdas, pequenas tudo.

Misery and conflict.
Fugia, reclamava, fazia ceninha.
Anda me parecendo cada vez mais necessário.
Makes you alive, makes it worthwhile.
"The only way you can really learn something".

Insights às vezes demoram.
Acho que este finalmente chegou.
: Make it minus seventy. Make it Richter's 10.0.

Que época pra se viver. Pós-Chernobyl. Pré-Fukushima.